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Hesperio Garra de Aguilhão

 

Capítulo Um

De como se urde uma teia.

Borooz Lunin Jardineiro acordou lenta e tristemente naquela manhã de fim de primavera. O Rei Jardineiro chegava de um sonho que o maravilhara e o deixara muito preocupado.

Pensativo, durante muito tempo deixou-se ficar deitado, olhando para o dossel da cama, para as paredes; e de suas mãos para a janela e de volta para seu colo ressequido. Outrora um Rei vigoroso, de compleição coesa e maciça, agora era apenas uma sombra encolhida que desaparecia na vastidão fria da cama.

Borooz suspirou, de olhos fechados, e procurou não pela última vez o ponto de divisa crucial, o limite em que sua força e vitalidade tinham cedido à erosão contínua do tempo, em que seu corpo havia desistido de acompanhar sua mente, tomando rumo diverso, ruinoso. A existência privilegiada de Rei forte que comanda apenas aumentava o contraste entre os anos ricos em eventos da juventude e o presente mudo, dócil.

E pesando e sopesando suas memórias, ignorava propositalmente, com mágoa despeitada, as dores, as incertezas e as terríveis tempestades de confusão e paixão que tinham sido seus anos de mocidade, quando havia Reinos por descobrir, explorar, conquistar e unificar; alianças por fazer e quebrar; amigos por socorrer e inimigos por assassinar; mulheres onde se perder.

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