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Hesperio Garra de Aguilhão

Maril DeDannan Jardineiro era bonita e jovem, de uma beleza modesta que não sobressaía sempre. Tinha modos algo ríspidos, impacientes, de quem considera que já suportou alguma situação desconfortável por mais tempo do que deveria; falava pouco e pensava muito. E aqui há o primeiro de muitos segredos: era uma Jardineiro, abandonada nas proximidades do Reino por ser o bebê indesejado do romance proibido entre Gentis de duas Casas. A mãe de Maril era uma Jardineiro; o pai, um Pescador, e ela nunca os conheceu.

O bebê que ela era então quase fora esmigalhado sob os cascos do cavalo de Narnil, que caçava javalis na ocasião. Salva no último segundo possível, Maril foi levada por um comovido Narnil, desde sempre suscetível a presságios, para ser criada como se sua filha fosse. Mas Maril sabia e sempre soube, por sua igual afinidade com água e plantas, de sua origem mestiça. Desde cedo Maril se acostumara a dissimular: na mesma medida em que fingia intimidade com o reino vegetal, tinha de reprimir suas inclinações Azuis. Dizia nadar sofrivelmente mas, como Pescadora, podia até mesmo respirar sem embaraço embaixo d'água.

Durante a festa, o senescal de Borooz aproximara-se de Maril, que ouvia o pai tratar de seus tediosos assuntos de comércio em um círculo reduzido de amigos, e lhe oferecera uma das rosas do jardim particular de Borooz (no Reino Verde, não pouca honra), com um bilhete. O bilhete era para o pai de Maril, que não poderia ter sido mais prestimoso e diligente nos esforços que fez a partir de então para convencer a filha a desposar o Rei. Maril achou por bem fingir um pouco alguma indecisão, apenas para aumentar a alegria (e, conseqüentemente, a prodigalidade) de Borooz quando ela finalmente aceitasse a proposta, o que não veio a demorar muito.

Os preparativos começaram a ser feitos.

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