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Hesperio Garra de Aguilhão
A cerimônia foi secreta e durou três dias. Segundo a tradição da Casa Verde, foram madrinhas as duas mais antigas árvores do Reino, Garanes e Milteres. Borooz trancou as flores das árvores e a fome e o medo de todos os seres vivos pelos três dias da cerimônia (para isso era guardião das Chaves, para delas dispor como quisesse). Os animais não reclamaram e jejuaram de bom grado, pois Borooz era um guardião justo. Por esses dias, a raposa dormiu junto às aves e crianças brincaram com escorpiões. E as árvores, de flores trancadas para fora, criavam a ilusão de que ainda era Primavera. Finda a cerimônia, começou a festa, à qual compareceram os Reis e Rainhas das outras Casas: Finlan Neril e Sirina Pescador, Reis-em-Azul, Desmondes Quarestes e Ananis Pedreiro, Reis-em-Ouro e Toramim Quatril e Luxes Ferreiro, Reis-em-Vermelho. Milton Miranda Falcoeiro, Rei-em-Cinza, como se esperava, não compareceu à festa. Mas, durante todo o dia, uma brisa agradável roçou os jardins e corredores do castelo, e no céu dispersou algumas nuvens que ameaçavam uma leve chuva: foi seu humilde e nem sequer notado presente. Desta vez, o Rei trancou para fora todas as frutas de todas as árvores do Reino, e abriu a fome de todos os seres. Todos comeram, beberam e festejaram, como há muito não o faziam. E, em meio aos risos e canções, Maril DeDannan só tinha memória para a cena em que seu marido entrara no quarto sozinho, pedindo que ela esperasse do lado de fora um pouco. E então, olhando pela janela, ela vira as árvores brotando flores em questão de segundos. Então era verdade! As Chaves eram reais e controlavam tudo o que existia! 9 |
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