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Hesperio Garra de Aguilhão

Maril descansava no quarto, lembrando com desgosto o modo como as mais variadas espécies de plantas, raízes e flores tinham se infiltrado no quarto do Rei e no seu, rachando o piso em alguns pontos, lentamente tecendo uma teia verdejante ao redor da cama de Borooz. Era o sinal mais claro de que chegara a hora da morte do Rei, e de que as plantas davam as boas-vindas ao bebê em seu quarto. Ela tinha que se apressar, pois se o que escutara pelos corredores de castelo fosse verdade, já não teria muito tempo. Diziam que, se o Rei morresse agora, já a guarda das Chaves passaria automaticamente para a criança. Era necessário livrar-se dela logo, para que, quando Borooz morresse, não houvesse herdeiro vivo. Mas como? “Como fazer parecer acidente?

Borooz se aproximou dela, pondo a mão em seu ombro. Maril se levantou e o abraçou, confortando-o, enquanto pensava: “Vá embora, velho, vá embora. Já não precisamos de você. Vá embora”.

Alguns dias depois, o Rei abriu o palácio para despedir-se dos súditos. Todos trouxeram presentes, e, sendo o Rei muito querido, todos estavam emocionados. Durante o dia, houve justas, um banquete, concursos de poesia e música e a tudo Borooz presidiu feliz e despreocupado.

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