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Hesperio Garra de Aguilhão
Ele vagou pela área com as lâminas afiadas e prontas, perambulou por aqui e por ali, com quanto silêncio pôde juntar, e meia hora depois já tinha avistado uma suculenta presa. Sem mais, atirou-se para ela, e logo ambos abalavam por entre lodaçais pútridos, terrenos barrentos, touceiras de capim, raízes mortas, um caminho de barro, outro de seixos, outro de pedra, um gramado bem-cuidado, canteiros de rosas, estátuas de mármore, escadarias de granito e corredores acarpetados. Skrsk notou por alto a mudança de cenário. Estava longe de casa. Não tinha importância. O frenesi da caça havia lhe transtornado os sentidos, eliminado de sua mente qualquer outra coisa que não fosse a perseguição. Dali a segundos, estaria saltando em cima da presa, todo ele coeso e implacável, e então arrastaria com orgulho a carcaça até sua toca. Iria pendurá-la na parede, até, para mostrar aos outros, antes de comê-la, mas não voltaria para casa sem ela. Naquele fim de tarde, sentia-se especialmente elétrico por apenas noite passada ter conseguido escapar literalmente das garras da morte, no ataque de um quati habilidoso e paciente. Perdera quase todos os pêlos urticantes, mas, ah, sacudira-se e dançara, quicando debaixo das patas sôfregas do animal, e conseguira escapulir.
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