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Hesperio Garra de Aguilhão

– Por favor, seja rápido – disse o grilo, pulando frenético de um canto a outro do recesso escuro onde ambos haviam ido se meter.

– Cale–se, desapareça!– replicou Skrsk. O grilo não esperou segunda ordem, quase voando para fora dali, atrapalhando-se todo com as raízes e milhões de “obrigado” que deixava escapar em torrente, maravilhado.

Skrsk mancava nervoso, para a frente e para trás, sofrendo com o que ouvia: a agonia do bebê, que chorava em pequenos arranques agudos, afligido por uma dor que não sabia de onde vinha. Skrsk amaldiçoava-se seguidas vezes, embora soubesse que estava sem culpa, pois agira sem pensar, por autopreservação. Pedia aos deuses que a ajuda chegasse logo, mas suas súplicas foram em vão, como de antemão sabia: ele era uma das Coisas Pequenas, como os grilos, os seixos, os alfinetes e cogumelos, e as preces das Coisas Pequenas nunca eram respondidas.

Hesperio parou de gritar e começou a gemer baixinho. Parecia que ia voltar a dormir. E então uma aia entrou no quarto, para ver o que aborrecia o bebê. Skrsk a viu aproximando, e viu também quando a expressão em seu rosto passou de um interesse desinteressado para uma máscara de estupor e confusão. A jovem deu meia-volta e saiu correndo do quarto, com a mão tapando a boca, sem que isso impedisse os gritos que já lançava pelos corredores:

– Acudam! Assassínio! Acudam! Hesperio!

 

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