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Hesperio Garra de Aguilhão

Borooz, ajoelhado, chorava, apertando a mão de Maril em seu ombro. E sua esposa não queria olhar para o berço, não queria se mover, não queria fazer nada, se concentrando em espremer umas mirradas lágrimas, que eram mais de apreensão e medo que de qualquer outra coisa. Tremia com medo de ser descoberta. E ninguém sabia o que dizer ou fazer.

Então se deu o que já não se dá hoje, quando os deuses já são velhos e ficaram sábios, e não se intrometem mais nos assuntos do mundo: Senise apareceu no quarto e tomou o bebê nos braços. Ninguém pôde suportar olhar para seu rosto.

– Eu o quero para mim – ela disse. Logo em seguida sumiram-se os dois, antes que alguém entendesse o que estava se passando.

Borooz se levantou, o velho rosto arroxeado de ira, sem nem se dar conta de que o corpo do filho havia sido roubado.

– Uma aranha, me dizeis? – perguntou então, com uma voz alta e forte como há muito não usava; seus olhos mortos volteavam nas órbitas numa expressão de desconfiança e raiva, como se pudessem ver, e agora vendo percebessem nas coisas traição, inimizade.

– Uma aranha ousa tocar um Gentil?

 

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