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Hesperio Garra de Aguilhão
Em segundos, estava acabado: na praça repleta de aranhas-fantasma que lentamente evanesciam, restaram apenas cinzas, e o Rei-em-Verde deixou-se cair de volta para dentro do quarto, exausto e finalmente morto. As ruas depois teriam que ser lavadas de tanto pêlo urticante, e nos dias que se seguiram houve um silêncio em tudo – gestos, objetos e palavras –, um pesar atônito de confusão e medo pelo que estaria por vir; as aranhas se tinham ido, para sempre trancadas para fora do mundo. Os insetos (inclusive o grilo que havia escapado de Skrsk) regozijaram-se com o desaparecimento de uma das mais implacáveis espécies predadoras, embora soubessem que estavam longe de poderem se considerar completamente protegidos. E entre os gritos e choro dos súditos que invadiram seu quarto, estava Maril, discretamente olhando em redor, tentando vislumbrar algum indício do esconderijo das Chaves, mas sem sucesso. Tudo que pôde ver foram alguns livros caídos da estante da pequena biblioteca, e alguns móveis derrubados por Borooz, quando ele se dirigia para a janela. Ajoelhou-se ao lado de Borooz, repousando-lhe a cabeça no colo e fechando os olhos no que de mais próximo conseguiu de uma expressão de dor. Exultando intimamente, dizia a si mesma que não fazia mal. Teria tempo para encontrá-las; agora, teria tempo para tudo.
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