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Hesperio Garra de Aguilhão

E longe dali, Skrsk mais se arrastou que correu, durante um longo tempo, até chegar à sua toca. E ali ele ficou, escondido bem fundo, dentro da terra, cercado por restos de suas refeições passadas.

Em nenhum lugar Skrsk se sentia mais seguro do que escondido no fundo de um buraco escuro sob o chão; nenhum braço era longo o bastante para alcançá-lo naquele refúgio úmido e silencioso. Um lugar muito bom para se pensar nas coisas, enfim – e Skrsk precisava pensar agora, embora não quisesse fazê-lo. Ele era um assassino – de filho de rei – e alguém o tinha visto. Jamais estaria seguro enquanto vivesse. Mas o que podia fazer, para onde poderia ir? – ele se perguntava, e subia um pouco assim de lado, mancando, e descia novamente, frenético; andava em círculos, estupefato, e de um lado para outro em sua toca. Melhor morrer do que viver aleijado e escondido; melhor morrer que viver com a culpa, ele pensava. Achou que poderia subir para algum lugar limpo e desimpedido perto de uma encosta de rochedo e esperar por algum gavião, ou meter-se nos baixios úmidos do bosque, repletos de serpentes.

Mas ao mesmo tempo sentia o ímpeto de viver, sentia o peso de toda a injustiça desabada sobre seu corpo frágil, e reagia gritando que não, não podia ficar assim, ele tinha que ser capaz de desenredar-se dessa teia maligna onde havia se enroscado! E seu pensamento confuso e aleijado era o reflexo de seu corpo, pois ia e voltava, e tropeçava em si mesmo apenas para voltar às questões iniciais: o que fazer e para onde ir. Ocorreu então que Skrsk parou de se preocupar com esta última pergunta, quando percebeu que o único lugar para onde fazia sentido ir era a praça em frente às paredes do castelo real. Um impulso sedutor, irresistível, mais forte que uma ordem: ele tinha que ir, e ir naquele instante , de volta para onde tinha acabado de chegar – o castelo de Borooz Jardineiro.

 

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