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Hesperio Garra de Aguilhão
Skrsk tentou dizer algo, mas o medo o tinha posto em estado de choque. Tremia, apenas, seus pêlos urticantes eriçados, as seis patinhas tateando o nada. Uma coisa pequena tocada por uma divindade. Nunca em toda a história conhecida do mundo. Senise estacou por um pouco. Pareceu pensar em algo, o rosto calmo, distante. E então seus olhos viraram-se em sincronia para melhor fitar a coisa: a aranha em sua mão que agora se fechava, apertando. Skrsk sentiu que seu exoesqueleto ia romper a qualquer segundo. Naquele momento quis que tudo acabasse; aquilo era demais, era muito grande, importante demais para ele. Agradeceu a morte – mas cedo demais: – Eu te condeno – Senise disse, e sua voz tremia. – Eu te condeno a habitar este vaso, e a crescer com ele, dentro dele. Tu irás perambular pelo mundo como o pequeno pedaço de nada que és, arrastando o corpo do pequeno Gentil que mataste. Comerás comida repugnante, viverás cercado de monstros... Ora, tu próprio serás um monstro, incapaz de sentir o que sente um humano, vais ser frio e sozinho e para sempre, ou até que encontres um igual que te fira de morte. Serás uma aberração, um eterno estranho, incomunicável, completamente outro, além dos gestos e das palavras.
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