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Hesperio Garra de Aguilhão

Foi assim que ela forjou o ataque da Casa de Ouro à Praça Gentil, para induzir Toramim Quatril a atacar mais rapidamente seus agressores Azuis. Não havia sido um terremoto: Maril atiçara as raízes das árvores próximas, de forma que rachassem o solo com violência, abalando os alicerces do tribunal. O plano funcionara, mas não lhe daria muito mais tempo. Era preciso organizar-se logo, ou perecer.

Logo a Casa Verde instituiu o serviço militar obrigatório para homens e mulheres humanos acima dos treze anos, já que os mercenários não acorriam em número suficiente.

A tudo isto, impassível, impaciente, assistiu Milton Miranda Falcoeiro, de sua alta montanha no Norte, em Morel, no continente de Oramire.

Os jovens Gentis, pensava, haviam esquecido do precário equilíbrio que era a razão da existência das cinco Casas, e que a interdependência dos elementos do mundo e da flora se refletia nelas. Apenas nos vegetais subaquáticos que drenavam sua vitalidade do solo submarino já se via o entrelaçamento de três Casas. Quatro Casas estavam presentes no processo em que nuvens repletas de água fertilizam o solo para a colheita; os exemplos eram infinitos. Qualquer um com bom senso poderia ver que aquela era uma guerra que condenaria os Gentis à extinção mútua. E tal pensamento lhe era insuportável, pois ele próprio era o último dos Gentis Cinzentos, o único que sobreviveu à estranha doença do espírito que em menos de um ano dizimou sua raça – e que alguns diziam ter sido um castigo dos deuses, pois em seus anos de juventude o Falcoeiro tinha sido um Rei mau e cruel, e tinha espalhado terror e sofrimento pelo seu Reino, e sido causa de mácula para o nome dos Gentis.

 

 

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