vBuddy - check your reputation   |  Cheap Web Hosting - starting at $5

Hesperio Garra de Aguilhão

E maravilhou-se então da visão que teve: uma procissão de criaturas angélicas preparava-lhe um trono ricamente incrustado e esculpido, recoberto de pele, ao pé do qual dois majestosos tigres se postavam, recostados, arfando suavemente As diáfanas criaturas, envoltas em transparências suaves, aspergiam pétalas pelo caminho entre ele e o trono, e o convidavam com gestos a sentar-se. Ele nunca havia visto tais tons de pele e cabelo, ou ouvido tais timbres doces de voz, de forma que se esqueceu de que carregava uma espada e começou ali mesmo a estupidificar-se, sem saber onde estava ou o que tinha acabado de acontecer. Uma luz dourada e sedosa se derramava sobre seus olhos, vinda do alto, de longe, e ele sentia um aroma bom de dia fresco. Pôde notar que havia uma taça de prata pousada no braço esquerdo do trono, e consumiu-se de sede então, e por provar o líquido sem dúvida delicioso contido ali.

Agora, Armada não era tão velho que não pudesse brandir seu cajado contra tal espécie de malfeitor, de forma que, postado atrás dele, resumiu toda sua ira num impacto que arrancou o assassino do devaneio e o arremessou ao chão.

– Demônios, coisa má, valei-me deuses... – ele balbuciou, atarantado, olhando em derredor tentando achar sua espada, sem nem saber se o mundo em que se movia agora era o real ou só outra alucinação dos sentidos. Outra cajadada na cabeça, de lado, encheu sua mente com um zumbido, e mais outra, além de adicionar um efeito de eco, fez com que o criminoso trincasse os dentes e perdesse o controle dos nervos. Ficou deitado de lado, arfando, de olhos fechados, praguejando numa torrente contínua. Pensou que, diante de tais manifestações demoníacas, de nada lhe valeriam sua astúcia e força ou suas lâminas. Contra aquilo que o ameaçava, ele era sem defesa e frágil como uma criança.

 

 

10

<<

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25

Home