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Hesperio Garra de Aguilhão
As engrenagens da guerra começaram a girar ali, e vinte anos – que eram como nada diante da longa expectativa de vida de um Gentil – se passaram, repletos de batalhas que varreram o continente. Assim foi que uma noite, os Gentis Verdes do reino de Tarrisan tiveram um pesadelo do qual acordaram com uma sensação de perigo iminente. Quando perceberam o incêndio, já não podiam fazer mais nada para salvar a parte Oeste de sua floresta. A Casa Azul entrou vitoriosa em Tarrisan pelo trecho aberto pela queimada (numa tática brilhante e não-ortodoxa do Pescador Finlan Neril), vinda das Praias do Norte, mas apenas para descobrir que o castelo estava abandonado, completamente esvaziado, e que as Chaves não estavam lá. Obviamente Maril não as havia encontrado, pois se assim fosse a guerra teria acabado. Todas as coisas do mundo estariam sob o comando dela, e os outros Reinos estariam perdidos. Finlan Neril estabeleceu um posto avançado em Tarrisan, e estava disposto, ainda que com relutância, a continuar queimando a floresta árvore por árvore até achar Maril e os habitantes do lugar, mas teve que adiar seus planos por um pouco, pois seu reino submarino foi ameaçado por uma súbita concentração de liquens que estava asfixiando a população. Entendendo a mensagem dos Jardineiros, ele retirou as tropas de Tarrisan e voltou para seu reino, pensando numa outra abordagem para o impasse. Quanto a Toramim Quatril, o Ferreiro, ele tinha seus próprios problemas: um destacamento seu entrara inadvertidamente nos vales secos de Morel, que eram guardados por Milton Miranda, e desaparecera até o último homem. Milton Miranda era poderoso e astuto. Toramim não podia arcar com a possibilidade de ter um elemento tão instável e perigoso como ele agindo livremente, de acordo com sua vontade já debilitada pela loucura, no meio de uma guerra tão confusa, em que os lados mudavam sem cessar. Além disso, ele tinha planos que dependiam da morte do primo. Mas mandar seu exército subir a montanha seria estupidez: não voltaria um soldado vivo. Ele precisava infiltrar alguém mortífero e arguto o suficiente lá em cima, para silenciá-lo para sempre. Era nisso que o Ferreiro pensava enquanto assistia, montado a cavalo, à última batalha do dia, que lentamente findava.
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