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Hesperio Garra de Aguilhão

E, no campo de batalha, em meio aos gritos e à ocasional saraiva de flechas se postava, de peito aberto e sem elmo, o mais estranho cavaleiro. Cercado por uma pilha de corpos, levava ao chão vários inimigos a cada movimento de braço, regular como um pêndulo. Esguio e elegante, vestia a mais maravilhosa armadura que alguém já tivesse visto, feita de um material duro e resistente, mas quebradiço quando desgastado, de cor levemente avermelhada, com pequeninos caroços espalhados por sua superfície e uma linha de pequenos dentes serrilhados descendo pela extensão de seus membros delgados. A armadura era secionada nas juntas de uma maneira tão sutil e natural, que o cavaleiro, visto de longe, dava a impressão de ser um curioso híbrido entre homem e inseto ou aranha, assim algo repugnante, mas ao mesmo tempo com uma elegância toda sua, angulosa, maquinada.

Sangrava o cavaleiro, no lugar da perna onde uma flecha se cravara, trespassada no coxote. Sua armadura estava rachada em alguns pontos, pelos sucessivos golpes que vinha recebendo, mas ele permanecia inalterado. Tinha lutado durante todo o dia sem nunca parar para descansar, e agora, quando no campo de guerra seus inimigos já o reconheciam como portador de morte certa e dolorosa e passaram a evitá-lo, ele tinha que avançar de surpresa até os trechos mais violentos e confusos da batalha para conseguir alguma ação.

Só parava de quando em quando para reembainhar a lâmina dupla da espada e desembainhá-la em seguida. A lâmina saía então úmida da bainha que ele trazia à cintura. E então ele recomeçava a peleja, sem um grito ou oração, sem alterar a fisionomia, sem recuar um milímetro que fosse.

Naquele instante ele se viu cercado por oito mercenários Verdes, logo reduzidos para seis. Então, com um golpe ensandecido, um deles conseguiu fazer com que o cavaleiro largasse sua espada; outro lhe cravou uma maça no peito, que resistiu ao impacto, mas estalou alto, como se antes de rachar. O cavaleiro foi jogado ao chão e lá ficou, indefeso.

– Pede clemência, demônio! – gritaram os agressores, pisando-lhe nos braços, apenas para terem a satisfação de negá-la, mas nada ouviram de sua boca. O cavaleiro apenas fechou os olhos e aguardou o inevitável.

 

 

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