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Hesperio Garra de Aguilhão

– Feio feito – ajuntou Emínias, importante, e começando a sentir-se desconfortável. Porque Toramim Vermelho mencionava seu primo? Com certeza, não esperava que ele, Emínias, estivesse disposto, ainda que da maneira mais inofensiva e sutil, a estabelecer algum tipo de contato com o temido e lendário Rei do Vento, personagem de tantas histórias amedrontadoras que o tinham apavorado quando criança.

– Vossa incumbência é ir até Oramire, ao vale Morel, mais especificamente, onde meu primo reside, e descobrir o que aconteceu com meus homens – continuou Toramim, sem se aperceber do comentário de Emínias.

– Devereis levar presentes para o Falcoeiro, e mais: deverão tentar convencê-lo a juntar-se a mim. Façam-no ver que meus motivos são justos. Se – os deuses não permitam – se vós perceberdes que a loucura se instalou irremediavelmente em meu já debilitado primo, o mais velho entre nós, aliás... Então confio em tua lâmina certeira, Hesperio, para dar fim ao seu sofrimento.

– Esse Falcoeiro – perguntou apenas Hesperio – Trata-se de alguém muito perigoso?

Toramim Quatril achava saber com que tipo de pessoa estava lidando, mas não sabia. E por vias tortas, por puro acaso, sua resposta foi a acertada:

– Acho que alguém capaz de eliminar um destacamento de trezentos homens sozinho se encaixa bem nessa descrição. Não. Muitíssimo perigoso, meu caro Garra, absolutamente mortal.

– Eu aceito, Majestade – respondeu Hesperio, imediatamente.

– E tu, Emínias? – perguntou Toramim, e seu olhar fuzilou o soldado.

Sem poder pensar numa maneira de recusar a tarefa de modo a não irritar Toramim, Emínias se ouviu aceitando a tarefa, engolindo em seco e gaguejando muito.

“Ir contra um Rei Gentil!”, pensava Emínias. “Não! Ir contra o mais cruel deles, o Falcoeiro, o velho espectro louco!”. Onde havia se metido?

 

 

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