vBuddy - check your reputation   |  Cheap Web Hosting - starting at $5

Hesperio Garra de Aguilhão

– O que houve? – ele perguntou a Emínias, notando que este havia parado de comer de repente.

– Perdi a fome – Emínias respondeu, virando o rosto para trás e cuspindo comida no chão.

– Desculpe. Estou tão acostumado a comer sozinho que me esqueci que esse costume parece ofender.

– Esse costume não existe, Hesperio.

– Asseguro-te que existe. É característico das populações do deserto. Nunca ouviste falar?

Emínias fez silêncio por algum tempo, olhando para um fino bracelete de contas negras que trazia no braço direito. Por fim, disse:

– Uma vez um velho mercador tatuado apareceu na minha ilha. Trazia toda sorte de brinquedos mágicos para vender. Me lembro que, uma noite, à beira do fogo no centro da vila, ele contou várias histórias maravilhosas, e mencionou que havia pessoas que comiam gafanhotos em sua cidade natal. Achamos que era o vinho falando. Mas tu deves ser mais viajado que eu, que até três anos nunca havia deixado a casa de meu pai. Enfim, agora o creio. Mas ainda assim é uma cena que eu preferiria não testemunhar.

– Não é problema. Quando sentir fome, me afasto um pouco. Comemos separados a partir de agora.

– Se não te incomoda a solidão...

– Não tenho do que reclamar – disse Hesperio, e voltou-se para dormir.

Descansaram por toda a noite, mas Hesperio não dormiu. As nuvens tinham encoberto as estrelas, e o dia seguinte seria nublado.

* * *

 

18

<< >>

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

Home