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Hesperio Garra de Aguilhão
Parras Calantro passou uma última vista de olhos na multidão de guerreiros que compunham seu pequeno exército. Quarenta homens treinados desde a infância nos mais diversos modos de matar – dos mais discretos aos mais espalhafatosos, dos mais dolorosos aos que nunca se chega a sentir –, todos alunos exemplares das mais renomadas academias militares dos Reinos, reunidos novamente para dar caça à mais perigosa das presas: um Rei Gentil. Já a isca tinha partido há doze horas do palácio de Toramim Quatril, e era chegado o momento de eles levantarem acampamento e dar início à jornada. Parras deu a ordem, e em três minutos, quem passasse por aquele trecho aberto de floresta não notaria que alguém havia estado por ali um pouco antes. O plano – se nada saísse errado – seria seguir os dois guerreiros até depois das doze pontes que ligavam os continentes, e de lá tomar um atalho pela vasta extensão pantanosa a leste de Morel, de forma a chegar antes à montanha e preparar a armadilha para o Rei Gentil. Conhecimento do terreno era fundamental. Há dois dias, dois batedores haviam retornado de Morel com informações preciosas sobre a configuração da cadeia de montanhas que era o lar do Falcoeiro, e indicações detalhadas sobre maneiras imaginativas de usar o terreno contra o Rei-em-Cinza. Uma das montanhas mais baixas, tendo sido rica em minério de ferro em tempos passados, não passava na verdade da carcaça de uma mina, repleta de túneis e passagens tortuosas e escuras. Se a batalha pudesse ser levada para essa montanha, Milton Miranda se encontraria isolado em câmaras fechadas e inacessível ao auxílio do vento, de onde a maior parte de sua periculosidade advinha. O problema maior seria levá-lo até lá.
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