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Hesperio Garra de Aguilhão

Após duas semanas de cerco improdutivo e dispendioso, o exército Verde decidiu recuar, e houve comemorações pelas ruas semidestruídas de Serenor. Lentamente, o trabalho de conserto das muralhas e portões destruídos começou.

Foi quando Hesperio e Emínias foram escolhidos para escoltar a sobrinha de Toramim, Vanerii Madralha Ferreiro, para fora do Reino. Deveriam levá-la por uma senda pouco conhecida, a sudeste do castelo, e entregá-la a salvo nas mãos de seus parentes, do outro lado do rio Bateria, que então a levariam de volta a seu lar, em Setee. Os conselheiros de Toramim temiam que um grande destacamento atraísse a atenção seus inimigos, e assim confiaram a Hesperio e Emínias apenas a segurança da menina.

Eles partiram antes do dia nascer, sob os constantes protestos de Vanerii, uma jovem de não mais que cento e trinta anos, que fazia questão de estabelecer, em alto e bom som, o quanto considerava repugnante seu mais novo guarda-costas.

Emínias cavalgava dormindo, embalado pelo suave gingado de seu cavalo, incomodado de quando em quando por uma picada de mosquito. Hesperio caminhava à frente, a uma distância que deixava os cavalos confortáveis. Estavam descendo uma ladeira não muito inclinada, recoberta de grama viçosa. Adiante, viam uma barreira de coníferas indicando o começo do trecho de bosque que eles deveriam atravessar.

Vanerii, a quem o sono piorava o humor, e que não estava acostumada a viajar a não ser em carruagens, procurava qualquer motivo para implicar com seus guarda-costas. Descontava neles a afronta de que se julgava vítima – voltar para casa sob tão inexpressiva e humilde escolta, partindo na calada da noite como uma ladra de cavalos.

– Ei, você! – gritou Vanerii.

– Você, cavaleiro! Venha cá!

Hesperio se deteve, com um suspiro resignado.

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