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Hesperio Garra de Aguilhão

– Devemos permanecer em silêncio – advertiu, enquanto os cavalos se aproximavam, pouco a pouco ficando mais inquietos com sua aparência peçonhenta.

– O que desejais?

– Não me venha com ais. Tenho sede. E fome. E sono, e meu traseiro dói horrivelmente. Há quanto tempo estamos viajando, afinal?

– Por favor, peço que ten- tenhais modos – disse Hesperio, ruborizando levemente diante dos termos em que Vanerii escolhia se expressar. – Partimos há apenas meia hora.

– Não me diga como falar. Não preciso de lições de etiqueta de um louva-a-deus !

– Se parar é o vosso desejo, sinto muito. Temos que chegar ao rio antes das três, ou vossos parentes presumirão que algo de ruim aconteceu.

Vanerii resmungou algo e se ajeitou em sua sela.

Tinham entrado no bosque, seguindo uma trilha espaçosa, recoberta de folhas. Pouco a pouco, a luz do dia ficou forte o suficiente, e se infiltrou por entre as copas das árvores.

Em silêncio, eles seguiram por toda a manhã e parte da tarde, até que, por volta das duas horas, tendo se segurado o mais que pôde, Vanerii disse:

– Pelos deuses, não posso mais! Se não descer daqui nesse instante, morro!

Disse, e desceu do cavalo com um salto ágil para aproximar-se de Hesperio, e em boa hora o fez, pois no segundo seguinte sua montaria foi atirada ao ar por um soco potente dado por uma grande mão de barro saída de entre as árvores que ladeavam o caminho.

Hesperio se virou na direção do barulho, e com um ágil movimento para o lado, evitou ser esmagado pelo cavalo que aterrissava a seu lado, de patas para o ar. Vanerii correu em sua direção, e quase foi atropelada pelo outro cavalo, que, assustado, abalava mata adentro, derrubando um sonolento Emínias, indefeso, no meio de um círculo de quatro criaturas de barro animado que lentamente se fechava.

 

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