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Hesperio Garra de Aguilhão
– Acuda, Hesperio, que morro! – gritou Emínias, sacudindo sua espada a esmo, tentando se levantar a custo. Hesperio sacou a espada. Com um único braço agarrou uma das patas do cavalo, que tentava se levantar, e o arremessou sem esforço, como se arremessa uma pedra, na direção dos golems. Conseguiu derrubar dois, mas o barro de que eram feitos era resistente e de boa liga – nenhum de desfez, e logo se levantavam. O aterrorizado cavalo, cansado de ser jogado de um lado para o outro, levantou-se com estrépito, e, em desespero, sapateou e escoiceou furiosamente até se firmar bem no chão, e então fugiu para nunca mais ser visto, reduzindo a pedaços, no processo, um dos golems sobre o qual tinha aterrissado. Emínias, recuperado, cravou sua espada no peito de um deles, e ali perdeu sua arma. Foi atirado com violência contra uma árvore, e um dos golems avançou para ele, vagaroso, mas decidido. Outros dois seguiram rapidamente na direção de Vanerii, que tinha se postado atrás de Hesperio, tentando a todo custo não chorar. – Suba na árvore, Emínias! Ele não te seguirá! – gritou Hesperio, brandindo a espada, sem muita convicção de onde mirar o golpe, tentando pensar em algo que pudesse parar os brutos. Emínias não precisou ouvir a ordem duas vezes. Em dois tempos estava no mais alto dos galhos, amaldiçoando sua sorte e pedindo ajuda a todos os deuses. – Suba nas minhas costas, princesa – disse. Vanerii hesitou alguns segundos, mas subiu. Uma vez nas costas de Hesperio, agarrada a seu pescoço, repetia para si mesma, de olhos fechados, como se memorizasse: – Oh, valham-me que isto não é uma armadura, é uma casca , é uma carapaça nojenta !”
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