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Hesperio Garra de Aguilhão

De fato, os golems compensavam sua lentidão fundindo-se ao solo, para reaparecer metros adiante numa erupção de barro e pedras, diminuindo mais a distância a cada vez.

– Não. Vamos esperar por eles. Como bem o dissestes, golems não param nunca, e estou cansado.

Oh! – disse Vanerii, e olhou para Hesperio com atenção verdadeira pela primeira vez.

– Ora, eu podia ter pensado nisso – ela disse.

– Talvez, mas Vossa Alteza tem um papel importante a desempenhar, de qualquer forma – será a isca. Aí vêm eles.

As criaturas chegaram então, e entraram no rio, uma e depois outra. Hesperio e Vanerii recuavam pouco a pouco, nunca se afastando demais e nem deixando os golems chegarem muito perto.

Relutantemente, Vanerii subiu nas costas do cavaleiro novamente. Hesperio recuou e recuou mais ainda, e logo o nível da água chegou até seu pescoço. Não havia mais para onde ir, a correnteza tinha ficado muito mais forte – quase os empurrava rio abaixo –, e nenhum dos dois sabia nadar. Hesperio, incomodado até o âmago pela água, se desequilibrava seguidamente, dando pulinhos para manter o equilíbrio, e já se perguntava, afinal, se era assim que seria, e o que diabos ainda poderia estar segurando os golems, impedindo que eles se desfizessem na correnteza.

Mas foi aí que o primeiro golem que entrou na água, e já estava a menos de meio metro deles, finalmente se desmanchou num borrão amarelado salpicado de pedras que afundavam. O último deles iria durar bem mais. O suficiente para estender seus braços ao redor do pescoço de Hesperio e começar a apertar.

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