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Hesperio Garra de Aguilhão

Emínias e Hesperio passaram por sob a estátua, entre suas pernas abertas, cruzando com vários habitantes, que iam e vinham, carregando pergaminhos, tenazes, armas e instrumentos de medição. Algumas famílias faziam um piquenique sob a sombra da espada de Hieranes, e mercadores de todos os tipos apregoavam seus produtos na base do pedestal da estátua, que era um amplo mercado aberto e entreposto comercial de todos os que chegavam do leste.

A estátua encarava o oeste e como que demarcava o fim das terras habitadas de Serenor. Daquele ponto em diante, o terreno se elevava e se tornava pedregoso e árido. Mais sete dias de jornada, e estariam chegando às pontes. Quando atravessassem para Oramire, ainda haveriam de se intrometer em seu caminho um cânion, um deserto e um pântano.

Os dias se passaram sem nenhuma alteração, e, enfim, na manhã do sétimo dia, puderam ver a ponte, ligando as escarpadas falésias que assinalavam o limite dos dois continentes. Tinha cerca de dois quilômetros de extensão e dois de largura; precipitava-se sobre o abismo a mil metros de altura. No fundo de suas águas, ficava a cidade de Quirian, a segunda mais importante no reino de Amarante.

A cada cem quilômetros para cada lado, uma nova ponte tinha sido construída, havia centenas de anos, num total de sete. Sob suas gigantescas colunas recamadas de concha e coral toda uma população Azul vivia; era a guardiã da passagem, recebendo os pedágios e fazendo oferendas ao mar, que se encontrava interditado pelo estado de guerra.

 

 

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