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Hesperio Garra de Aguilhão

– Dá cá a mulher – ela disse, gaguejando muito, tremendo e batendo os dentes de frio.

A presença de Hesperio era ainda mais arrebatadora de perto, quase conseguindo fazê-la esquecer das bestas aquáticas sob seu comando. O kraken enrolava a pilastra da esquerda em seus tentáculos e nela aplicava uma pressão titânica, enquanto a voragem arremetia com toda a força contra a pilastra da direita.

Foi para Hesperio um choque reconhecer a Gentil que havia sido responsável por seu infortúnio.

Tu...– ele disse, tão surpreso quanto confuso. Seu instinto de autopreservação o fez erguer a espada imediatamente, mas então – o primeiro impacto. Hesperio foi lançado de lado; errara o golpe. Toda a ponte tremeu e a rocha estalou e rachou. Em meio à desorientação que reinava, ninguém notou um jovem assustado, vestido em roupas nobres, que atravessou a ponte num galope cego, puxando uma mula mais assustada ainda pelo arreio. Era Emínias, que, em pânico, roubara um dos cavalos da escolta de Maril, e conseguira galopar para a outra margem um segundo antes de o impacto acontecer. De onde estava pôde ver uma rachadura se desenhando como um relâmpago, no sentido da largura da ponte, e que prenunciava o desabamento para dali a instantes.

– Hesperio! – gritou, dividido entre os instintos que lhe diziam para fugir dali e um recém-descoberto sentimento de lealdade, que o surpreendia na mesma medida em que o incomodava.

– Hesperio, corre! Vai cair tudo, homem! – dizia, e notou por alto que estava voltando para a beira do abismo.

 

 

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