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Hesperio Garra de Aguilhão
Maril retornou ao castelo, sabendo que não seria seguida de imediato, uma vez que para chegar a Tarrisan era necessário atravessar um pequeno trecho de floresta que fatalmente iria impor pesadas baixas a um exército despreparado, reunido na urgência da retaliação. Esperava usar desse argumento para acalmar os seus conselheiros, tão facilmente irritáveis, e mentalmente procurava algum ponto positivo que pudesse extrair de sua desastrada primeira batalha. Mas, para sua surpresa, ela encontrou seus generais mais afáveis do que jamais estiveram, chegando mesmo ao antes impensável ato de parabenizá-la pela brilhante tática que empregara. Ao invés de lutar uma batalha desfavorável que se arrastaria por um tempo indefinido, ela havia destruído uma das pontes, condenando centenas de Pescadores que viviam naquela área à morte por esmagamento – sem dúvida um aviso que não se poderia ignorar. Maril nem sequer tinha pensado nos moradores de Quirian, mil metros abaixo de seus pés naquela hora fatal, e o pensamento da extensão do dano cruel que tinha acabado de infligir aos Azuis foi como um golpe em seu sistema nervoso. Não tinha previsto aquilo, mas também disse de si para si que aquele não era o melhor momento para se perguntar para onde seus desejos a estavam levando. Talvez alguém na reunião tenha querido perguntar sobre como Maril lograra derrubar a ponte. Mas o assunto não veio à tona. Maril encerrou a audiência, recomendando a todos que aproveitassem o feriado do dia seguinte – o Dia do Dia – e descansassem bastante, pois as coisas iriam ficar bem mais perigosas dali por diante. Antes de se recolher, ainda recebeu Antero Mitrala.
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