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Hesperio Garra de Aguilhão
O ainda capitão Mitrala tinha perdido seus anos de vigor montado numa sela de cavalo, primeiro tentando achar Armada, depois tentando achar as Chaves das Coisas. Tinha varrido toda a extensão do reino Verde atrás de sombras de rumores que nunca eram confirmados, e que grandemente o extenuavam. Tinha pedido, subornado, ameaçado e matado por pistas escassas que não levavam a lugar nenhum; pesquisado sobre a história das Chaves em velhas bibliotecas – e se exasperado com a quantidade de informações contraditórias sobre os artefatos. Tinha se metido em desertos, selvas, pântanos. Tinha lutado contra bandoleiros e criaturas da noite, perdendo homens e sacrificando a juventude do seu corpo; tudo para no fim de cada diligência voltar a Tarrisan e agüentar a fúria da cada vez mais frustrada e raivosa Rainha-em-Verde, e ouvir calado suas reprimendas. E ainda desta vez, ele voltava de mãos vazias. Ainda sujo da jornada, Antero relatou seu último insucesso com poucas palavras. Seu desprezo por Maril era visível. Maril desconfiava que algum nobre ainda leal a Borooz tivesse aproveitado o tumulto entre a morte do Rei Verde e seu enterro, e levado as Chaves para outro local. No palácio real com certeza não estavam. Ainda abalada por tudo que acontecera naquele dia, Maril dispensou Antero com menos virulência do que era seu costume. Disse-lhe que se preparasse para partir no dia seguinte. – Há um lugar em que não pensamos em procurar. As cidades ofertadas – Maril lhe disse. Antero mordeu a bochecha por dentro. Agora ela o desterrava para as cidades ofertadas! – Majestade... – ele ensaiou dizer. Mas Maril o interrompeu com um meio gesto aborrecido. Mitrala só poderia dar meia-volta e retirar-se, e assim o fez. – E então? – perguntou um dos subordinados de Antero, quando ele saiu dos aposentos de Maril. – Ela insiste – foi a resposta seca que ele deu.
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