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Hesperio Garra de Aguilhão
Pega no meio do seu ódio, sem tempo para raciocinar direito, o melhor plano que ela conseguiu tramar foi deixar a menina fugir, para segui-la e então encontrar Armada. Não era a primeira vez que um julgamento apressado havia mudado o rumo de seus planos, pensava, lembrando-se do dia em que jogara uma tarântula no berço do filho recém-nascido, num ímpeto vindo nunca soube de onde. Sua índole impetuosa ainda haveria de pô-la em sérios perigos. De qualquer forma, pelo menos agora tinha uma pista a seguir. Não era de todo uma perda. Maril deu um passo para frente, fingiu se enroscar em suas saias e tombou desajeitadamente para o lado, meio apoiada na cama. Foi o suficiente para a ladra fugir, tossindo, engasgando e chorando, mas não sem antes desferir um chute fraco e despeitado no rosto de Maril, que foi pega de surpresa. “ Ah, humana ”, Maril pensou, enquanto se levantava, sorrindo. “Ah, como tu hás de me proporcionar distração...”. Antecipação de vingança geralmente fazia milagres em seu temperamento. Maril esperou um pouco, e então saiu do quarto calmamente, e no corredor, encontrou uma criada carregando um enorme tapete enrolado. Disse-lhe que avisassem nas cocheiras que deveriam preparar uma carruagem escoltada por soldados e besteiros, e que se preparassem para a batalha. Quando encontrassem Armada, o mago não iria se entregar sem luta.
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