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Hesperio Garra de Aguilhão

Hesperio, que agora vestia uma das roupas vistosas que tomara emprestadas de Emínias – um vistoso colete de camurça com enfeites dourados – estava sentado no chão, e trazia ainda pendurada no pescoço, sentada por trás dele, a jovem que finalmente caíra em sono profundo. Emínias havia tratado das feridas da moça, removido a seta de seu ombro e tentado fazê-la largar Hesperio, mas seus braços haviam se entrelaçado com tamanha determinação em volta do pescoço do cavaleiro que só quebrados haveriam de se soltar. Emínias preparava seu saco de dormir, conversando com Hesperio sem olhar para ele.

– Agora, eu preciso perguntar: que diabos foi aquilo que tu fizeste com a armadura? Primeiro te tomei por um cavaleiro penitente, depois achei que fosses – perdoa – um boticário assassino, agora tu me pareces mais um mago... – e então Emínias se interrompeu, e, dando alguns passos para trás, repentinamente amedrontado, gaguejou:

– ... Ou um demônio? Valham-me deuses, não és um demônio, és, Hesperio?

Hesperio suspirou e disse:

– Ainda que fosse, seria o demônio que te salvou a vida. E a história desta armadura só diz respeito a mim – disse, para continuar em seguida, desajeitadamente:

– É... é uma maldição que carrego... É a maldição que sou. Eu... desculpe, não quis parecer rude.

 

 

 

 

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