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Hesperio Garra de Aguilhão
“Uma maldição ”, Emínias pensou, seus olhos se arregalando. Como nas histórias, uma maldição de verdade! A muito custo se conteve para não bombardear Hesperio com perguntas que decerto o incomodariam, e procurou concentrar-se na conversa. – Bem, mas pareceu. – Se eu for um demônio, estarei no meu direito de ser tão rude quanto quiser, não achas? – respondeu Hesperio, conciliador. Emínias relaxou um pouco, e disse: – É claro. Hesperio tentou se desvencilhar da moça mais uma vez, mas não conseguiu. Respirava com dificuldade e não conseguia se mover direito. – E esta agora... Quanto tempo durará o efeito desta seta? – Não é tão mau assim – disse-lhe Emínias. – Pelo menos hoje dormes aquecido. Olha para ela. Ah, tu não consegues! Bem, deixa que te diga: é uma ruivinha muito bela esta que levas a tiracolo. – Pouco se me dá – respondeu Hesperio, algo acanhado. Já fazia cinco anos que ele não chegava tão perto de uma mulher. A possibilidade de vir a passar a noite em companhia da jovem o punha nervoso. – Bom, vou dormir – disse Emínias. – Emínias. – Sim, Hesperio. – Obrigado por me salvar a vida. És mais forte do que aparenta. – Oh, aquilo? Bobagem. Estamos finalmente quites, hein? Mas foi um bom susto o que tu me deste, por alguns instantes ficaste prostrado como morto, jogado no chão que nem um trapo velho. Achei que tinha te perdido. E por falar em perder: como vais te arranjar sem tua espada? – Não te preocupes. Ela volta. – Como assim?
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