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Hesperio Garra de Aguilhão
Quando tocou nos cabelos da jovem, Maril sentiu um forte aroma aquoso – imperceptível para um humano ou Gentil puro de uma Casa que não a Azul –, e soube que a ladra tinha vindo por uma das pontes que uniam os continentes, a ponte sobre a cidade submarina de Armoral. Se estivesse voltando para Armada, ela teria que fazer o mesmo trajeto, e Maril iria se beneficiar da proximidade de água para aumentar suas forças. Era quase o suficiente para contrabalançar a astúcia de Armada. E, para seu plano funcionar, ela só precisava na verdade que o mago não fugisse logo no primeiro instante, uma vez que os besteiros na retaguarda iriam tê-lo na mira e poderiam abatê-lo com facilidade, usando setas preparadas para anuviar a mente e nublar os reflexos, sem matá-lo. Aqui ela soube também que seria obrigada a tomar um passo ofensivo na Guerra Gentil: as pontes estavam interditadas há três meses pelos Azuis, e logo o povo de Tarrisan estaria sentindo as agruras do isolamento comercial. As provisões não durariam outros três meses. O expediente de aumentar a concentração de liquens no reino submarino de Amarante já não funcionava, por algum motivo que Maril ainda teria de descobrir – tinha sido Finlan, que ordenara a voragens que filtrassem o excesso da planta com suas cerdas bucais, e assim restabelecera o equilíbrio ecológico em seu reino.
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