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Hesperio Garra de Aguilhão
Em outras duas vezes em que toparam com batalhas, estas duraram tanto que Hesperio achou melhor seguir caminho, descrevendo um semicírculo por dentro dos bosques que ladeavam o vale. E assim, continuavam. Logo a jornada tinha se tornado uma tediosa sucessão de dias exatamente iguais, numa paisagem que se recusava a apresentar mudanças: Acordavam com o nascer do Sol e se punham em marcha, atravessando amplas planícies e subindo suaves encostas de morros, parando para descansar às duas da tarde. Após um descanso de uma hora, em que aproveitavam para cochilar, continuavam seguindo até o entardecer, quando então paravam para comer novamente. Seguiam por mais duas horas, e depois estendiam as esteiras para dormir sob um céu invariavelmente estrelado e limpo. Era o fim da Primavera, e a temperatura era amena. Como a terra da região, ao contrário da capital, fosse agradável e fresca, raramente se sentiam cansados, e de vez em quando encontravam regatos e pequenos lagos protegidos por uma vegetação mais espessa. Quando isso acontecia, paravam para tomar banho, trocar de roupa e se abastecer de água. Na primeira semana de viagem, Hesperio tinha se mantido tão distante e silencioso quanto possível. Emínias, que não havia percebido a obstinada propensão ao silêncio de seu companheiro, tampouco se deu conta de que falava sozinho, e discorreu durante os primeiros dias sobre reminiscências de sua vila natal, e sobre o futuro que o aguardava quando lá retornasse, se sobrevivesse à missão. Dizia que podia ser prefeito ainda, quem sabe, e seu pai não precisaria mais cortar os dedos nas malhas das redes que lançava ao mar para buscar seu sustento. Explicou também porque, sendo pescador, não se alistara nas fileiras Azuis, com as quais com certeza teria mais afinidade:
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