vBuddy - check your reputation   |  Cheap Web Hosting - starting at $5

Hesperio Garra de Aguilhão

Primeiro, jamais gostara do ofício da família, e ficava cada dia mais sensível ao leve aroma de peixe que em tudo penetrava – nos pães, nos cabelos, na bebida, nas roupas, nos beijos. Outro motivo, mais forte, é que um jovem e arrogante Azul chamado Sezser Narral havia lhe roubado a irmã, e a levara para debaixo d'água, para nunca mais voltar. Era ela quem o havia criado, pois a mãe de ambos falecera quando Emínias nasceu. O bracelete que ele usava em seu braço foi seu presente quando ela sumiu na noite lhe implorando para que ele não acordasse o pai.

– Não posso culpá-los, não é verdade? O amor faz dessas coisas.

Hesperio concordou com a cabeça, mas a verdade é que não tinha a mínima idéia do que viesse a ser esse fator – o amor – que os humanos invocavam tão freqüentemente quando queriam justificar suas não poucas escolhas erradas.

Toda uma gama de emoções humanas não lhe dizia o menor respeito. Hesperio conhecia a tristeza, mas não como uma emoção que pudesse sentir ou deixar de sentir de acordo com o que lhe acontecesse. Estava imerso em tristeza todas as horas do dia, e a amargura era seu estado natural. Vivia cercado por seres de aparência horrível, que o interpelavam, exigiam sua atenção, seu riso ou seu entendimento. Mas ele era completamente à parte do mundo dos humanos, não entendia seus costumes, abominava suas manias e desinteressava-se de tudo. Só experimentava um pouco de paz mental quando estava completamente só, viajando, concentrando-se em pôr um pé após o outro para avançar em seu caminho, ou então no meio da mais sangrenta batalha, onde se atirava rápido, ágil e mortal, sem um segundo de hesitação. Ali relembrava seus dias de tarântula caçadora, embora o que o impelisse para a batalha fosse agora um motivo bem diverso.

 

 

7

<<

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23

Home