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Hesperio Garra de Aguilhão

Emínias continuava a falar – dessa vez perguntava o que Hesperio achava de suas roupas novas. O cavaleiro respondeu com um “Hum-hum” que poderia ser várias coisas. Notando que Hesperio continuava participando da conversa com acenos de cabeça e uma postura que ele não pôde acreditar ser outra coisa que não de arrogância, Emínias parou de procurar conversar com o companheiro, e logo só estavam trocando as palavras necessárias.

Dali a alguns dias, Hesperio deve ter finalmente notado o distanciamento de Emínias e, sentindo-se um tanto culpado por sua atitude fria, acenou com algumas palavras desajeitadas; de modo que Emínias teve que reprimir um sorriso sarcástico quando Hesperio, após uma hora de silêncio constrangido durante o almoço, disse de repente:

– E então, que te parece a jornada até aqui?

Emínias disse:

– Oh, sofrível... – e não disse nada mais.

Hesperio esperou um pouco, e, ao ver que Emínias não iria dizer mais nada, tentou ainda mais uma vez:

– É um bonito... bracelete, esse que carregas.

Emínias mordeu a bochecha por dentro e disse apenas:

– Hum-hum...

Hesperio, desapontado, murmurou ainda:

– É. Pois é...

Emínias disse então, rindo:

– Desculpe, Hesperio, estou só implicando contigo. Viu? É assim que me sinto falando contigo.

Hesperio deixou escapar um sorriso acanhado.

– Não faço de propósito. É que não estou acostumado a estar por perto de pessoas. Se tu soubesses o esforço que faço cada vez que tenho de pedir alguma informação... – ele disse. E então sorriu.

– É ridículo, eu sei, mas...

– Não, tudo bem. As pessoas são diferentes, mesmo. Com o tempo iremos nos entender, tu verás.

 

 

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