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Hesperio Garra de Aguilhão

No dia seguinte, consultando os mapas, Emínias constatou que estavam se aproximando da cidade-estátua de Hieranes Matadeuses. E seu coração palpitou quando, ao subirem no topo de uma colina, puderam ver, a cerca de dez quilômetros, a estátua de ferro do herói, assomando descomunal no horizonte. Tinha trezentos metros de altura, e sua construção tinha tomado duzentos anos e centenas de vidas.

Era impossível olhar para a estátua – oca e habitada pelos descendentes de seus construtores humanos – e não sentir um misto de admiração e medo. A estátua se postava em cima de um pedestal que era também oficina, forja e escola para os futuros mestres engenheiros, soldadores e ferreiros, os mais habilidosos dos Reinos.

Na cabeça de Hieranes moravam os conselheiros e as famílias mais antigas, e através dos olhos da estátua, podiam ver todo o Reino de Serenor estender-se debaixo deles. Por todo o resto do corpo a população restante – cerca de mil pessoas – se distribuía, movimentando-se por complicados e engenhosos sistemas de elevadores.

Hieranes foi um dos três Primeiros Heróis, junto com Piletas e Firaseu. Ele era chamado de o “Matadeuses”, pois, dotado de força prodigiosa, tinha estrangulado até a morte e então decepado o terrível deus Molassa, que durante milênios havia escravizado a humanidade.

A estátua de Hieranes reproduzia seu feito: na mão direita o herói levava a espada, e com a esquerda, levantava a cabeça de Molassa. A cabeça do Deus, completamente selada contra a luz, servia de prisão para os que houvessem cometido algum delito na pequena comunidade.

 

 

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