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Hesperio Garra de Aguilhão
Dali a quatro dias eles chegaram à borda do Grande Cânion Oramire. A visão era esplêndida: Tinha dois mil metros de profundidade e se estendia por mil e duzentos quilômetros no sentido Noroeste-Sudeste. Nas paredes dos dois lados, podia-se ver, incrustadas como jóias, construções esféricas, feitas de barro e pedra, ligadas umas às outras por um emaranhado de escadas precárias e sistemas de cordas. Eram as antigas construções de um dos povos mais antigos da região, os menzahibin, expulsos quando o Deserto de Belbohim, sempre em processo de expansão, se aproximou demais do cânion e matou a já escassa vegetação que era a sua única fonte de alimentação. O pequeno grupo havia atingido o cânion na metade de sua extensão, e agora procurava a precária ponte que ligava as duas extremidades do abismo, separadas a uma distância de vinte quilômetros uma da outra. Novane a avistou, alguns metros à direita do ponto onde estavam. Ao chegarem mais perto, perceberam a aparência velha e gasta das tábuas de madeira amarradas toscamente, e notaram o quanto a ponte balançava, assaltada pelo incessante vento que soprava entre as paredes do cânion. - É por ali mesmo - disse Hesperio: - Vamos. Hesperio foi à frente, para testar a segurança das tábuas; atrás foram Novane e Emínias, que puxava a mula com os presentes. Lentamente, parando a cada sacudida mais violenta, os três atravessaram o cânion. Quando Emínias pisou a outra margem do abismo, teve que se controlar para não beijar o chão. Consultando seus mapas, Hesperio viu que, a seis dias de viagem, havia um ponto marcado como “Mojafa”. - Aqui, mulher - ele disse, mostrando o mapa para Novane. - Se isto for uma cidade - e não sei mais o que poderia ser -, iremos te deixar lá. Assim está bem, espero.
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