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Hesperio Garra de Aguilhão
Emínias ouviu aquilo com uma ponta de tristeza. A companhia de Novane lhe era cada vez mais agradável, e pensar em afastar-se dela lhe incomodava um pouco. Novane também não pareceu muito entusiasmada com a idéia, mas nada disse. Seis dias depois, já tendo entrado no Deserto de Belbohim, chegaram ao ponto assinalado no mapa, e depararam-se com uma fortaleza incrustada na base de uma montanha solitária. Suas paredes de pedra cinza-claras erguiam-se a vinte metros de altura. Escavados por toda a extensão da parede norte, pequenos retângulos escuros distribuíam-se em três linhas paralelas, e detrás deles, Emínias pôde ver olhos vigilantes observando-os. Mesmo de longe, Hesperio reconheceu os brasões nas flâmulas que enfeitavam as ameias da fortaleza. Aquela era uma fortificação de humanos, um quartel. Ali não haveria lugar para Novane. O cavaleiro olhou no mapa novamente, e, para seu desgosto, viu que não havia mais lugar nenhum onde eles pudessem deixar a mulher - a não ser já próximo do final da viagem, numa estalagem assinalada no mapa como “Osso do Dragão”. “Menos mal”, ele pensou. Pelo menos, não iria arriscar a vida da mulher à toa. Bateram no portão da fortaleza, onde puderam comprar novas provisões e encher seus cantis de água. Algumas horas depois, partiram novamente, para dentro do coração seco do deserto. Ainda faltavam doze dias para chegarem a Morel. * * *
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