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Hesperio Garra de Aguilhão

Numa arena improvisada em um dos pátios de seu castelo, Toramim Quatril observava, entediado, uma luta de gladiadores organizada para entreter as tropas. O Ferreiro estava mais interessado em discutir seus planos com seu primeiro-conselheiro Eliadaque Moor, e acompanhava o desenrolar das batalhas por alto.

O Rei-em-Vermelho se sentava sem a Rainha ao seu lado. Luxes não tolerava disputas sangrentas, e já em muitas ocasiões revelara desgosto por seu marido, em suas palavras, “transformar o castelo em casa de tavolagem”; agora estava na biblioteca, desenhando.

Eliadaque sentava-se num banco ao lado do trono do Rei, e ambos tomavam vinho. Para poderem discutir melhor, tinham dispensado os serviçais e os guardas.

- Gostaria de encontrar Armada - disse Toramim, sem se dar conta do insulto que estava prestes a lançar em seu conselheiro:

- Ele me seria um excelente conselheiro neste... Nos seria -

- Oh... imagino que... - e a calva de Eliadaque tornou-se violentamente rosada.

- Não se agaste, homem, que bem sei o quanto teus serviços me são preciosos. Mas ele percebeu a mudança se aproximando... - continuou o Rei.

- Como eu também percebi, se bem me recordo - e vos avisei... - disse Eliadaque.

- Oh, claro. É que Armada é absurdamente velho. Deve ser a criatura mais astuta dos reinos, quiçá de todo o mundo. Sim, ele seria um reforço magnífico... se ainda estiver vivo.

Na arena, um dos gladiadores tombou, ensangüentado, e o guerreiro vitorioso ergueu sua lança, esperando pela decisão de Toramim.

- Sire... - apontou Eliadaque, escolhendo algumas uvas.

Toramim, mal olhando para a arena, fez com o polegar para baixo o sinal que selava a vida do guerreiro derrotado.

- Passe-me o vinho. Está tudo pronto para a cerimônia? - perguntou o Rei-em-Vermelho, baixando a voz.

 

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