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Hesperio Garra de Aguilhão

- Um mundo sem deuses... - disse Toramim, divagando.

- E no entanto, é verdade: Já não vemos prodígios no céu, ou recebemos notícias de Seus mensageiros. Nem mesmo Senise, a mais afeita aos negócios dos mortais, foi vista pelos últimos anos. Estamos novamente sozinhos, Sire. Nas nossas mãos - Eliadaque olhava para alguma paisagem interior, e o que via parecia lhe agradar profundamente.

- Eu serei o único com acesso à Magia, me asseguras?

- Sim. De posse das Chaves, gigante entre pigmeus, governante de todas as coisas.

Gritos de excitação e uma cascata de palavrões os alertaram do fim de outra batalha. O esguio Gentil tinha subido nas costas do humano, e com duas estocadas o derrubara, e agora esperava pelo sinal de Toramim, que, alertado pelo conselheiro, fez distraidamente o sinal de morte. Urros da platéia acompanharam a execução do humano, e Toramim jogou um punhado de rosas no Gentil vitorioso.

A conversa continuou, e o Rei passou a discutir seus planos com relação a seu primo. Eliadaque não sabia nem esperava que o Rei-em-Vermelho estivesse pensando em propor uma aliança com Maril Lunin, como ele de fato estava, e protestou.

- Se eu ficar esperando que teu deus aja, estarei velho demais até para usar as Chaves... - replicou Toramim.

- Sire, o Deus das Forcas e da Putrefação não dorme nunca, e ele está por toda parte. Seria mais sábio tratá-lo com reverência...

- Perdão, Eliadaque. É que tenho estado impaciente. O caminho mais rápido para dar um fim a este impasse seria uma aliança entre meus primos, mas eu confio tanto neles quanto confio num cesto de escorpiões... e a Família não me permite uma ruptura completa...

 

 

 

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