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Hesperio Garra de Aguilhão

- Mas então...

- Então eu devo procurar fazer a aliança com Maril. Com ela eu não preciso fingir confiança, ambos sabemos que ao menor deslize um irá tirar proveito e passar o outro pra trás; não dá pra ser mais honesto que isso. Ela não sabe onde estão as Chaves, não as reconheceria mesmo se as visse, ela precisa de alguém disposto a fazer concessões, alguém que não tenha o julgamento toldado por noções ultrapassadas de honra. Depois da mudança, Eliadaque, se acabam as reverências e os cuidados inúteis. Eu só quero a minha parte. Nem mesmo aquela víbora vai duvidar de minhas intenções quando eu lhe apresentar a cabeça do Falcoeiro como presente.

- Se seus primos descobrirem...

- Mas eles não vão, não é? Com sorte, talvez eu até acabe ficando... mais íntimo de Maril... aquilo é uma mulher, não este galho seco com quem fui forçado a me casar.

- Sire, já a lua desponta no céu. Está na hora de nos prepararmos.

Na arena, outra batalha havia chegado ao fim, e Eliadaque, distraído, fez ele mesmo o sinal de morte, comendo algumas tâmaras. E nem ele nem Toramim notaram que o vencedor da batalha, concentrado em retalhar sua vítima, não daria a menor importância a quaisquer sinais que o Rei fizesse, positivos ou negativos. Era um tigre, espécie geralmente avessa a formalidades que se interponham entre eles e uma refeição fresca.

 

* * *

 

 

16

 

 

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No próximo capítulo:

Breve despedida; O Circo das Maravilhas; Onde o cavaleiro aracnídeo enfrenta um monstro maravilhoso .

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