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Hesperio Garra de Aguilhão

Mais do que nunca ela se torturou com a impossibilidade de achar as Chaves. Fazia concessões aos deuses, lhes prometia inúmeras oferendas e dias de feriado, e de bom grado dispensou a posse de 7.775 Chaves. Para si, agora só queria duas: a que traria o cavaleiro de volta da morte - e a que abriria o amor em seu peito para que ele a desejasse tanto quanto ela o desejava.

Longe dali, Hesperio acordava, e via a jovem que ele tinha salvado da morte já desperta, sentada em posição de lótus, de olhos fechados. Emínias permanecia deitado na mesma posição em que adormecera, e não se ouvia o mínimo ruído.

Hesperio cochichou:

- Qual o seu nome?

- Novane - ela respondeu, com um sussurro ainda mais baixo.

Hesperio voltou a fechar os olhos.

O dia se demorou, indeciso, prendendo a respiração ainda um pouco. Enfim, à meia-noite, todos os pássaros bateram as asas, para se exercitar, e centenas de fogos de artifício estouraram por todo o reino, anunciando o começo de uma festa que duraria até o amanhecer, com fogueiras, comida e bebida. As celebrações nos últimos anos vinham sofrendo com a guerra, mas o costume se mantinha. Apenas Tarrisan não celebrou o feriado. Todo o reino estava em alerta, com seus exércitos a postos, esperando a reação Azul, que não haveria de demorar.

Tampouco houve festa para a tropa de Parras Cilantro, que se pôs a marchar assim que as coisas voltaram a dar sinal de vida. Para sorte deles, um destacamento avançado de seu exército esperava por eles do outro lado da ponte, e foram dois soldados desse destacamento que haviam salvado Hesperio. O exército de Parras havia chegado à ponte a tempo de vê-la ruir. Tiveram então de andar cem quilômetros para leste a fim de atravessar por outra das onze pontes, se atrasando consideravelmente no processo.

 

 

 

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