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Hesperio Garra de Aguilhão

No acampamento improvisado de Hesperio já não havia mais necessidade de manter o silêncio, e o cavaleiro foi o primeiro a falar:

- Bom, já descansamos o bastante. Está pronto pra seguir viagem, Emínias?

- Sim, estou.

- Pra onde vocês estão indo? - perguntou Novane, dobrando e esfregando os braços, que ainda lhe doíam do esforço. Apenas há instantes ela expressava perplexidade por ter levado uma flechada:

- Deve doer muito... mas eu mal senti o impacto...

- Os Jardineiros conhecem muitos venenos – ajuntara Hesperio – Pra tua sorte este acabou enrijecendo teus braços; foi uma dose fraca do entorpecente; uma mais forte e você teria parado de respirar.

- Eu odiei isso – ela disse, e a ênfase pôs Emínias rindo.

- Ficaria grata de evitar quase ser morta de novo, se for possível... – Novane continuou, repreendendo ninguém em particular e todo mundo ao mesmo tempo.

Agora, no entanto, quando ela perguntou para onde o grupo de Hesperio seguia, Emínias lhe respondeu, com o melhor tom de nobreza entojada que conseguiu emprestar à voz:

- Isso, minha querida, não é da sua conta.

- Ora, eu... - começou ela, mas foi interrompida por Hesperio:

- Aquilo não foi só um ataque da Casa Verde à Casa Azul. Eles estavam te perseguindo. Porquê?

- Isso, meu querido, não é da sua conta.

- Upa, Hesperio! - disse Emínias, e riu-se.

- ‘Hesperio'? É você?

- ‘De nada, às suas ordens' - replicou Hesperio.

- Perdão? - disse Novane.

- “Perdão” não, “muito obrigado” – Hesperio respondeu, esfregando o pescoço vigorosamente.

- Pelo quê, mesmo?

- Te livrei do perigo.

Novane abriu um sorriso imediato, franco.

- Foi... muita bravura sua. Quase idiotice, mesmo... quer dizer, entrar sozinho no meio da... – mas eu estou agradecida, claro, minha dívida é imensa: Muito obrigada.

Hesperio nada disse, mas pareceu aquiescer com a cabeça.

 

 

 

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