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Hesperio Garra de Aguilhão

Tratava-se agora de descobrir quem entre suas próprias fileiras tinha traído Amarante, e ele tinha que ser rápido, pois ninguém sabia quando alguma das outras pontes seria atacada. Para tornar a situação ainda mais delicada, a população que morava embaixo das pilastras se recusava a abandonar seus lares.

Os Pescadores se comunicavam em silêncio, buscando as palavras nas mentes uns dos outros. Naquele momento, Finlan Neril sentia seu crânio ribombar como um grande salão repleto de vozes, que vibravam palavras de vingança: <Temos que agir... inocentes... mães e pais, filhos e filhas... sangue clama sangue, Pescador... Rei da Água, mostra tua fibra... passarelas de coral repletas de crianças...>

Sim, sim, retaliar. A questão era como. Os Pescadores já haviam infligido toda a extensão de sua fúria nas populações ribeirinhas e costeiras das Casas rivais, e mais não podiam fazer, estando confinados sob as águas, que eram sua proteção tanto quanto eram uma barreira. Era sorte de Finlan que ele fosse pacífico por natureza, e tivesse uma inclinação para o distanciamento (resultante de uma branda crença na superioridade Azul), pois um Rei mais sociável ou mais sanguíneo já teria se exasperado diante da inacessibilidade de seu Reino, ou dos poucos recursos bélicos à sua disposição.

Finlan pensou e pensou, trancando sua mente e isolando-se por completo da algazarra de vozes que embotavam o fio de seu pensamento. Por fim, lhe pareceu ter encontrado uma rota de ação, uma variação indigna do já indigno bloqueio que Amarante vinha impondo a Tarrisan. Foi então que a voz do Rei-em-Azul se fez ouvir acima das outras:

<Já tenho meu curso traçado. Manteremos o bloqueio e reforçaremos a guarda nas pontes. Amarante segue o exemplo da água: nós nos adaptamos ao meio, circundamos os obstáculos. Nosso caminho é o caminho sutil>

 

 

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